quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Betsy: a cadela mais inteligente do mundo, uma Border Collie


Betsy é considerada a cadela mais inteligente do mundo,
 tendo um vocabulário de 340 palavras que rivaliza com os 
dos grandes símios, os parentes mais próximos do Homem. 
A sua inteligência acima da média foi atribuída ao facto de ter 
crescido com humanos, à sua evolução e raça.


Quantificar o grau de inteligência dos cães sempre foi um 
assunto polémico. A inteligência não só é de difícil definição, 
como também varia conforme a raça e indivíduo. A inteligência
 é muitas vezes definida como a capacidade de aprender, de 
resolver de problemas e de se adaptar a situações novas. 
Mas se o conceito é difícil definir para humanos, o mesmo 
se pode dizer da sua aplicação ao mundo dos cães.


A diferença entre raças



Existem vários rankings de inteligência, sendo quase todos 
baseados na capacidade de obediência a comandos. Uma 
das listas mais conhecidas é o top elaborado pelo veterinário 
e neuropsicologista, Stanley Coren. Segundo o investigador, 
há três tipos de inteligência nos cães:


  • Inteligência adaptativa – 
  • capacidade para resolver problemas;
  • Inteligência instintiva – 
  • comportamentos ditados geneticamente;
  • Inteligência baseada na obediência – 
  • capacidade para obedecer a comandos.


Foi baseado em todos os tipos de inteligência que Stanley Coren 
elaborou o ranking de raças (vide postagem anterior).


Este tipo de estudos tem diversas limitações. A capacidade 
de aprender e resolver problemas é um dos factores mais 
estudados nos cães e ao qual está mais associado o 
conceito de inteligência. Existem diversos factores que 
podem influenciar a quantificação da inteligência de um cão. 
A apetência para agradar ao dono ou a teimosia podem 
interferir na capacidade que o cão demonstra ter para aprender.


Alguns cães têm também um carácter mais independente, 
como os cães do tipo primitivo ou nórdicos, e não foram 
seleccionados para responder aos comandos, mas sobretudo 
valorizados por seguirem o próprio instinto durante o trabalho. 
Daí que ofereçam mais resistência a obedecer aos 
comandos do dono.


Também as capacidade herdadas podem muitas vezes ser 
tomadas por inteligência, por exemplo, um cão pastor 
mostra grande capacidade de aprender técnicas para 
pastorear rebanhos, enquanto que um cão de caça 
falha miseravelmente neste aspecto. Mas o mesmo 
se pode dizer de um pointer que aprende a apontar a 
presa sem grande treino, enquanto que nesta situação, 
um cão pastor fica muito mal qualificado.


A supremacia do Border Collie



O Border Collie está apontado como uma das raças mais 
inteligentes do mundo na grande maioria dos testes de 
inteligência que se fazem a cães.


Betsy, uma cadela Border Collie nascida em 2002, foi capa 
da revista National Geographicem 2008 por ter um vocabulário 
de 340 palavras. Às dez semanas, Betsy já sabia sentar ao 
comando, já identificava vários objecto através do nome, 
tais como bola, e já sabia recuperar objectivos atirados para 
longe. Mas esta Border Collie não parou por aí e aprendeu a
 estabelecer uma relação entre um objecto real e uma fotografia 
sem nunca ter visto antes o objecto ou a imagem. Betsy é 
também capaz de aprender o nome de novos objectos por 
exclusão de partes e ir buscá-lo de imediato.


Mas Betsy não é caso único. Rico, também um cão da raça 
Border Collie, chegou às páginas da revista Science pela 
mão da investigadora Juliane Kaminski. Rico tem um 
vocabulário de 200 palavras e é capaz de perceber 
associações entre termos, como por exemplo combinar 
um verbo, “busca”, com vários objectos.


Ainda no domínio dos Border Collies, existe o caso 
de Guinness. Esta cadela foi ensinada a carregar com 
a pata num aparelho que em seguida lhe devolvia 
comida, apenas e só se ela usasse a pata. Foram 
colocados outros cães com ela para observarem 
este comportamento. Os cães instintivamente 
usam o nariz para quase tudo e o seu instinto levava-os 
a usar também o nariz para carregar no pedal. Mas após 
observarem que Guinness obtinha a recompensa carregando
 com a pata, os outros cães começaram a imitá-la. 
Contudo, quando Guinness tinha uma bola na boca e 
usava a pata, os outros cães continuavam a usar o nariz.
 A conclusão a que os investigadores chegaram foi a de 
que os cães imitam selectivamente. No primeiro caso, 
os cães chegaram à conclusão que Guinness, podendo 
utilizar o nariz, escolhia utilizar a pata, porque devia ser 
mais vantajoso para ela, daí decidirem imitá-la. No segundo 
caso, os cães concluíram que Guinness usava a pata porque, 
tendo a bola na boca, não podia usar o nariz e, por isso, 
não viram vantagem em usar a pata quando podiam usar o nariz.


Mas Guinness não serviu apenas para servir de modelo a imitar. 
Esta cadela é capaz de identificar diferentes paisagens, raças de 
cães e caras humanas. A Border Collie porta-se extremamente 
bem, face a um monitor onde estas imagens lhe 
são apresentadas. Não há outro cão que tenha conseguido 
igualar os resultados dos seus testes.


Cão vs Homem



Os testes conduzidos nestes cães vieram quebrar muitos 
preconceitos relativos à inteligência dos humanos. Aquilo
 que se pensava ser do domínio exclusivo da inteligência 
humana foi efectuado pelos cães em diversos estudos. 
Betsy, por exemplo, aprende novas palavras da mesma 
forma que os bebés humanos. E os cães que imitaram 
selectivamente Guinness mostraram que, tal como as 
crianças, escolhem imitar apenas os comportamentos que 
lhes parecem vantajosos.


Cão vs outros animais



Os cães têm uma grande capacidade de comunicar com os 
humanos e algumas pesquisas sugerem até que essa 
capacidade seja inata. Cachorros de 6 semanas, altura 
em que a janela de socialização com os humanos ainda 
não está aberta, conseguem perceber o gesto de apontar o dedo.


Grandes Símios


Os grandes símios são os parentes mais próximos do Homem
. A investigação da inteligência destes animais é já realizada 
há mais tempo do que os testes nos cães. Alguns testes 
simples indicam contudo que os cães conseguem interpretar 
mais rapidamente os gestos e acções humanas do que 
os grandes símios.


Kaminski juntou símios, cães e dois recipientes, um com 
comida e outro vazio. Depois, a investigadora apontou 
para o recipiente com comida. Enquanto que os símios 
mostraram-se perplexos com o apontar do dedo, os cães
 perceberam o seu significado e olharam na direcção que 
a investigadora apontava. Para além disso, os cães 
conseguiam também aperceber-se do significado do olhar
 da investigadora. Quando Kaminski olhava para o 
contentor, os cães iam investigá-lo, mas quando olhava 
para um ponto mais acima, na parede, os cães entendiam 
que isso não era um sinal destinado a eles.


Lobos


Os lobos sempre foram tidos como mais inteligentes do 
que o cão. Seja porque mantiveram os seus instintos 
inalterados ou porque não viram o seu comportamento 
condicionado ao longo da vida. Contudo alguns testes 
mostram que os cães são capazes de fazer coisas que 
os lobos não são. Numa experiência realizada por um 
investigador na Universidade Eötvös Loránd de Budapeste, 
Adám Miklósi, cachorros e lobos com os mesmos meses 
de vida foram colocados lado a lado com um recipiente 
com carne dentro. Todos os animais tentaram retirar a 
carne, mas quando o investigador húngaro fechou o 
contentor, os cachorros pararam, enquanto que os lobos 
continuaram a insistir. Os cachorros sentaram-se e 
olharam para o dono, o que segundo Miklósi indica que 
estes sabiam que iriam atingir mais depressa o seu 
objectivo se comunicassem com os humanos.








Um comentário:

  1. Legal a postagem! Mas está antiga podia colocar sobre a Border Colie Chaser que reconhece mais de 1.022 brinquedos pelo nome! Fora uma compreensão de frases com verbo e objeto, e aprende por eliminação Tb, aprende novos nomes eliminando objetos conhecidos! Pena que o dono e a cadela morreram a pouco tempo!

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