Betsy é considerada a cadela mais inteligente do mundo,
tendo um vocabulário de 340 palavras que rivaliza com os
dos grandes símios, os parentes mais próximos do Homem.
A sua inteligência acima da média foi atribuída ao facto de ter
crescido com humanos, à sua evolução e raça.
Quantificar o grau de inteligência dos cães sempre foi um
assunto polémico. A inteligência não só é de difícil definição,
como também varia conforme a raça e indivíduo. A inteligência
é muitas vezes definida como a capacidade de aprender, de
resolver de problemas e de se adaptar a situações novas.
Mas se o conceito é difícil definir para humanos, o mesmo
se pode dizer da sua aplicação ao mundo dos cães.
A diferença entre raças
Existem vários rankings de inteligência, sendo quase todos
baseados na capacidade de obediência a comandos. Uma
das listas mais conhecidas é o top elaborado pelo veterinário
e neuropsicologista, Stanley Coren. Segundo o investigador,
há três tipos de inteligência nos cães:
- Inteligência adaptativa –
- capacidade para resolver problemas;
- Inteligência instintiva –
- comportamentos ditados geneticamente;
- Inteligência baseada na obediência –
- capacidade para obedecer a comandos.
Foi baseado em todos os tipos de inteligência que Stanley Coren
elaborou o ranking de raças (vide postagem anterior).
Este tipo de estudos tem diversas limitações. A capacidade
de aprender e resolver problemas é um dos factores mais
estudados nos cães e ao qual está mais associado o
conceito de inteligência. Existem diversos factores que
podem influenciar a quantificação da inteligência de um cão.
A apetência para agradar ao dono ou a teimosia podem
interferir na capacidade que o cão demonstra ter para aprender.
Alguns cães têm também um carácter mais independente,
como os cães do tipo primitivo ou nórdicos, e não foram
seleccionados para responder aos comandos, mas sobretudo
valorizados por seguirem o próprio instinto durante o trabalho.
Daí que ofereçam mais resistência a obedecer aos
comandos do dono.
Também as capacidade herdadas podem muitas vezes ser
tomadas por inteligência, por exemplo, um cão pastor
mostra grande capacidade de aprender técnicas para
pastorear rebanhos, enquanto que um cão de caça
falha miseravelmente neste aspecto. Mas o mesmo
se pode dizer de um pointer que aprende a apontar a
presa sem grande treino, enquanto que nesta situação,
um cão pastor fica muito mal qualificado.
A supremacia do Border Collie
O Border Collie está apontado como uma das raças mais
inteligentes do mundo na grande maioria dos testes de
inteligência que se fazem a cães.
Betsy, uma cadela Border Collie nascida em 2002, foi capa
da revista National Geographicem 2008 por ter um vocabulário
de 340 palavras. Às dez semanas, Betsy já sabia sentar ao
comando, já identificava vários objecto através do nome,
tais como bola, e já sabia recuperar objectivos atirados para
longe. Mas esta Border Collie não parou por aí e aprendeu a
estabelecer uma relação entre um objecto real e uma fotografia
sem nunca ter visto antes o objecto ou a imagem. Betsy é
também capaz de aprender o nome de novos objectos por
exclusão de partes e ir buscá-lo de imediato.
Mas Betsy não é caso único. Rico, também um cão da raça
Border Collie, chegou às páginas da revista Science pela
mão da investigadora Juliane Kaminski. Rico tem um
vocabulário de 200 palavras e é capaz de perceber
associações entre termos, como por exemplo combinar
um verbo, “busca”, com vários objectos.
Ainda no domínio dos Border Collies, existe o caso
de Guinness. Esta cadela foi ensinada a carregar com
a pata num aparelho que em seguida lhe devolvia
comida, apenas e só se ela usasse a pata. Foram
colocados outros cães com ela para observarem
este comportamento. Os cães instintivamente
usam o nariz para quase tudo e o seu instinto levava-os
a usar também o nariz para carregar no pedal. Mas após
observarem que Guinness obtinha a recompensa carregando
com a pata, os outros cães começaram a imitá-la.
Contudo, quando Guinness tinha uma bola na boca e
usava a pata, os outros cães continuavam a usar o nariz.
A conclusão a que os investigadores chegaram foi a de
que os cães imitam selectivamente. No primeiro caso,
os cães chegaram à conclusão que Guinness, podendo
utilizar o nariz, escolhia utilizar a pata, porque devia ser
mais vantajoso para ela, daí decidirem imitá-la. No segundo
caso, os cães concluíram que Guinness usava a pata porque,
tendo a bola na boca, não podia usar o nariz e, por isso,
não viram vantagem em usar a pata quando podiam usar o nariz.
Mas Guinness não serviu apenas para servir de modelo a imitar.
Esta cadela é capaz de identificar diferentes paisagens, raças de
cães e caras humanas. A Border Collie porta-se extremamente
bem, face a um monitor onde estas imagens lhe
são apresentadas. Não há outro cão que tenha conseguido
igualar os resultados dos seus testes.
Cão vs Homem
Os testes conduzidos nestes cães vieram quebrar muitos
preconceitos relativos à inteligência dos humanos. Aquilo
que se pensava ser do domínio exclusivo da inteligência
humana foi efectuado pelos cães em diversos estudos.
Betsy, por exemplo, aprende novas palavras da mesma
forma que os bebés humanos. E os cães que imitaram
selectivamente Guinness mostraram que, tal como as
crianças, escolhem imitar apenas os comportamentos que
lhes parecem vantajosos.
Cão vs outros animais
Os cães têm uma grande capacidade de comunicar com os
humanos e algumas pesquisas sugerem até que essa
capacidade seja inata. Cachorros de 6 semanas, altura
em que a janela de socialização com os humanos ainda
não está aberta, conseguem perceber o gesto de apontar o dedo.
Grandes Símios
Os grandes símios são os parentes mais próximos do Homem
. A investigação da inteligência destes animais é já realizada
há mais tempo do que os testes nos cães. Alguns testes
simples indicam contudo que os cães conseguem interpretar
mais rapidamente os gestos e acções humanas do que
os grandes símios.
Kaminski juntou símios, cães e dois recipientes, um com
comida e outro vazio. Depois, a investigadora apontou
para o recipiente com comida. Enquanto que os símios
mostraram-se perplexos com o apontar do dedo, os cães
perceberam o seu significado e olharam na direcção que
a investigadora apontava. Para além disso, os cães
conseguiam também aperceber-se do significado do olhar
da investigadora. Quando Kaminski olhava para o
contentor, os cães iam investigá-lo, mas quando olhava
para um ponto mais acima, na parede, os cães entendiam
que isso não era um sinal destinado a eles.
Lobos
Os lobos sempre foram tidos como mais inteligentes do
que o cão. Seja porque mantiveram os seus instintos
inalterados ou porque não viram o seu comportamento
condicionado ao longo da vida. Contudo alguns testes
mostram que os cães são capazes de fazer coisas que
os lobos não são. Numa experiência realizada por um
investigador na Universidade Eötvös Loránd de Budapeste,
Adám Miklósi, cachorros e lobos com os mesmos meses
de vida foram colocados lado a lado com um recipiente
com carne dentro. Todos os animais tentaram retirar a
carne, mas quando o investigador húngaro fechou o
contentor, os cachorros pararam, enquanto que os lobos
continuaram a insistir. Os cachorros sentaram-se e
olharam para o dono, o que segundo Miklósi indica que
estes sabiam que iriam atingir mais depressa o seu
objectivo se comunicassem com os humanos.



Legal a postagem! Mas está antiga podia colocar sobre a Border Colie Chaser que reconhece mais de 1.022 brinquedos pelo nome! Fora uma compreensão de frases com verbo e objeto, e aprende por eliminação Tb, aprende novos nomes eliminando objetos conhecidos! Pena que o dono e a cadela morreram a pouco tempo!
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